Mas por que é que alguém quer Windows no Mac, devem estar a perguntar os fãs incondicionais da Apple. Não sei. A verdade é que coloquei a janela na maçã a pedido de um amigo, que está habituado a trabalhar em ambiente Windows, mas que decidiu recentemente comprar um Mac Book Pro de 17 polegadas.
Esta situação é reveladora do que Steve Jobs pretendia ao permitir que os seus computadores, agora com processadores Intel, pudessem correr Windows. Uma forma de convencer os mais cépticos sobre o sistema operativo da Apple a mudarem de máquina. Agora já não têm desculpas, devem ter pensado em Cupertino. Parece ter resultado, pelo menos neste caso.
Mãos à obra
Antes de avançar é preciso ter em atenção que o processo demora várias horas e que, no meu caso, não correu bem à primeira. Tenho ainda conhecimento de pelo menos dois Mac mini Intel que “apagaram” completamente depois de instalado o Windows. Tiveram que ser trocados.
Para começar é fundamental ir a esta página da Apple -
http://www.apple.com/macosx/bootcamp/ -, onde vai encontrar toda a informação sobre o Boot Camp, o programa que assiste o utilizador a instalar o Windows no Mac.
Leia com atenção a página, e certifique-se que o seu computador tem os requisitos mínimos obrigatórios, principalmente: um Mac Intel; o Mac OS X Tiger v10.4.6; o último update de Firmware; 10 GB de espaço no disco.
Depois, certifique-se igualmente que tem o XP (Home ou Professional) com o Service Pack 2 num único CD. Vai também precisar de um CD vazio para gravar os “drivers” que optimizam o funcionamento do Windows no Mac.
Uma vez a postos, é hora de começar.
Na página que referi antes é preciso fazer o download do Boot Camp, instalar o programa e lançar o que a Apple chama de Assistente de Instalação. Sem problemas. O Boot Camp começa por pedir que se coloque o tal CD livre para que sejam gravados os “drivers” que vai utilizar mais tarde, já no Windows.
Até aqui, tudo bem.O passo seguinte passa pela partição do disco. Ou seja, qual é o espaço que quero dar ao Tiger e ao Windows. Dei 30 GB para o sistema operativo da Microsoft.
Pouco depois, o computador deu um erro, com “identificação de nomes”, que impossibilitava a partição. Fui aconselhado a formatar o disco e a instalar de novo, “limpo”, o Tiger. Foi o que fiz.
Depois de restabelecido, o Mac já conseguiu fazer a partição do disco – desta vez dei apenas 20 GB ao Windows.
De seguida, o Boot Camp pede para inserir o CD com o Windows XP.
Nesta altura saímos do ambiente amigável do MAC e entramos num menos simpático. Aparece um ecrãn negro, com a indicação das partições existentes no disco e com a opção de escolha sobre qual delas pretendemos instalar o XP. Deve-se escolher, sem erros, a “C: Partition3”.
É então pedido para formatarmos a partição usando o “NTSF file system”, que oferece maior segurança, ou o “FAT file system”, que oferece melhor compatibilidade entre os sistemas operativos mas que só pode ser escolhido caso o espaço de disco para o Windows seja inferior a 32 GB.
E começa a instalação.Depois de concluída, o computador reinicializa em ambiente Windows, embora visualmente deformado uma vez que não foram instalados os tais “drivers” para optimizar o sistema em Mac. Retira-se o CD do XP, coloca-se o que gravámos no início do processo, que imediatamente começa a instalação dos drivers.
No “manual de instruções” do Boot Camp está escrito que se durante esta última tarefa aparecer uma “mensagem que diz que o software que você está a instalar não passou o teste de logo do Windows, clique ´Continuar` de qualquer forma”. Assim fiz e a coisa funcionou.
O Windows pergunta novamente se quero reinicializar o computador, o que eu aceito. Por esta altura apanho o maior susto de toda a instalação. O computador, um MAC Book Pro de 2.836 euros, vai a negro e assim fica durante vários minutos.
Tinham-me dito que algo semelhante acontecera com os MAC Mini quando tentaram instalar o Windows. Os tais que foram para o “lixo”.
Apercebi-me apenas que o computador ainda estava “vivo” quando reparei, do lado esquerdo do mesmo, no local do Mic, que a luz estava acesa, sinal de que ainda estava ligado... mas sem resposta.
Tive que forçar o computador a desligar, segurando durante alguns segundos o botão do “Shut Off”. Quando voltei a ligar, o Mac Book Pro iniciou o Windows, sem problemas. Tudo está a funcionar como se estivesse a trabalhar com um qualquer PC.
Este Mac funciona agora com dois sistemas operativos, o Tiger e Windows, que podem ser escolhidos ao iniciar-se o computador. Basta clicar, ao ligar, na tecla do “Alt” que pouco depois aparece a opção de escolha: Tiger ou Windows?
por: Alexandre Brito, RTP